Hora do verão

Não simpatizo muito com o verão:
suo na cabeça,
tenho preguiça no meio do dia,
bebo água como retirante perdido,
troco de roupa toda hora,
me alimento mal,
perco o humor,
Por óbvio, fica claro que detesto calorão.

Tenho medo das tempestades de verão:
desabam em nossas cabeças distraídas,
enchendo os rios,
derrubando encostas,
inundando as ruas,
paralisando cidades.
Para piorar, as chuvas colocam a nu
toda a nossa imprudência.

Nas cidades vale mais quem tem ar,
condicionado, é claro.
Não se vai ao cinema sem um,
nem ao restaurante,
ao médico muito menos,
sequer a uma repartição.
Quem pode anda de táxi
ou ônibus especial,
o frescão.
Quem não pode, sofre
dentro de um quentão!

Sabemos que é verão
quando entramos em uma loja
para nos refrescar,
corremos para o cinema
ou o shoping mais próximo.
Tem até quem,
juro que me contaram,
abre geladeira de casa
e se deita à sua frente,
no chão.

Praia no verão?
Nem pensar!
Dividir a areia quente
com milhares de calorosos cidadãos,
mergulhar no mar
sem espaço sequer para se afogar,
correr do ladrão,
pivetes, arrastões,
driblar ambulantes, polícia
e indefectíveis chatos,
não é propriamente o que chamo de
diversão.

Verão, já deu para ver,
não é bem a minha estação.