Arame farpado

– Muito bem, turma, pergunta! Arame farpado lembra?

– …

– Vamos lá gente, todo mundo aqui sabe o que um arame farpado. Ou não?

– Trincheira da Primeira Guerra Mundial!

Espanto total.

– Caramba, a Primeira Guerra terminou em 1918, há exatos 99 anos e possivelmente ninguém mais sabe o que é uma trincheira. Mas o exemplo é bom, os rolos de arame farpado ficavam entre os buracos que abrigavam os soldados, dificultando o avanço dos inimigos. Outro!

– Campo de prisioneiros. Vi naquele filme do Spielberg, “A Lista de Schindler”.

– Perfeito, continuem.

– É um tipo de ferro usado para cercar pastos de vacas.

– Muito bem, quem mais?

– Música do Barão Vermelho. Sei que fala algo como beijos de sabor enferrujado machucam a boca feito arame farpado.

– … Ô menina, vou ter que acreditar em você, nunca ouvi isso.

– Existe sim, quer que eu cante?

– Não, deixa prá lá. Alguém mais?

– Arame farpado, difícil de ser comido e fácil de cercar gado.

– Gracinha, né?

– Não, senhor, tá no Google!

– Tá bom! O arame farpado foi inventado em 1873, nos Estados Unidos, para cercar e proteger o gado, impedindo sua fuga e dificultando o roubo. Foi utilizado militarmente pela primeira vez em 1888, pelo exército britânico, para proteger as tropas que ficavam nas trincheiras dos ataques dos soldados inimigos. Hoje em dia pode ser encontrado em presídios, prédios, fábricas, áreas de segurança, campos de refugiados, depósitos, armazéns, fronteiras e por aí vai. Aqui na cidade do Rio de Janeiro é muito comum ao redor de casas, edifícios e condomínios. Hoje, eu acordei e vi meu prédio todo cercado com arame farpado. Senti-me o próprio gado…

– Amém.

Nossos muros

Em agosto de 1961 eu tinha dez anos. O muro de Berlim acabara de ser “inaugurado”, mísseis nucleares estavam sendo instalados na Turquia, Alemanha Ocidental e Itália, submarinos armados com bombas de hidrogênio navegam pelas costas das grandes potências. A chamada “guerra fria” entrava em seu auge. Mesmo aqui no Brasil, longe de tudo, havia muita apreensão. Sabiamos que uma nova guerra seria definitiva, sem vencedores, sem sobreviventes, sem futuro.

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