A matança dos macacos

Foto: Carlos Emerson Jr.

Deu no O Globo: “chega a 131 o número de primatas mortos desde o início do ano – média de 5,24 animais por dia. Desses, 32 apenas na cidade do Rio”. O que assusta é que 69% (90 macacos) morreram espancados ou envenenados, uma matança absurda, provocada por uma população ignorante que acredita que os macacos são os responsáveis pela proliferação da febre amarela.

Segundo os veterinários do Instituto Jorge Vaistman, “há casos de espancamento com múltiplas fraturas, de animais com vísceras estouradas por conta de chutes, casos de envenenamento causados pela ingestão de chumbinho disfarçado em bananas… Entre as vítimas há três exemplares de mico-leão-dourado, espécie que corre risco de extinção” (El País).

Caramba, o transmissor da febre amarela é o mosquito! Os macacos são vítimas que nem nós e ainda tem mais, servem como um alerta da doença. Matar, trucidar, exterminar esses animais só vai nos prejudicar. Cadê a fiscalização? Cadê a consciência cívica? Matar um macaco pode dar um ano de cadeia, seus infelizes! Ibama nessa gente.

Agora, se vocês fazem mesmo questão de punir alguém, porque não vão atrás dos canalhas que, por omissão, má-fé, desonestidade e corrupção permitiram o ressurgimento de uma doença erradicada há mais de cem anos? Ah, mas é claro, ninguém se preocupa com saneamento básico, saúde para todos, higiene, educação, qualidade de vida. Viajar de avião, ter televisão, automóvel, isso pode, não é mesmo? Agora, água e esgoto tratado, morar decentemente, deixa prá lá…

Uma vergonha!

Planeta dos macacos

apebarbermonsters

No planeta dos macacos quem manda são eles, os primatas. Os macacos se dividem em gorilas, chimpanzés, orangotangos, babuínos, micos, bonobos, pregos e monos. Na maior parte do tempo, convivem em harmonia, seguindo a lei máxima do deus dos macacos, aquela que diz que símio não mata símio.

No planeta dos macacos não existe tecnologia. Mas eles usam ferramentas, desenvolvidas para cada situação. A agricultura, pesca e caça provem o sustento das cidades que, adequadamente, são construídas em árvores, dentro de florestas. Os rios são limpos, o ar é puro e a terra é saudável. Macacos não poluem.

No planeta dos macacos as tarefas são divididas de acordo com as habilidades naturais de cada um, além do tempo de estudo, é claro. Ou vocês acham que macacos não vão para a escola? Os ensinamentos passam de pai para filho, geração após geração. Símios nunca esquecem!

No planeta dos macacos ninguém é classificado por cor, raça e religião (ou falta dela). E olha que, apesar de todos serem primatas, tem macaco com rabo, macaco sem rabo, macaco cor de rosa, macaco branco, macaco preto, macaco grande, macaco pequeno, macaco anão. Diversidade é com eles mesmos.

No planeta dos macacos existem guerras. Grandes felinos e repteis estão sempre à espreita, perto das cidades nas arvores, prontos para atacar. Na época do acasalamento, ninguém é de ninguém e as brigas correm soltas até os casais se formarem. No entanto, jamais se viu tropas de macacos invadindo e roubando a água e os grãos dos vizinhos.

Dizem que no planeta dos macacos existem humanos como nós. Uma espécie estranha, que não consegue se comunicar, mal compreende algumas ordens, preguiçosa, medrosa, dispersiva e violenta. Odeia todos os que são diferentes dele. Mata seu semelhante por qualquer motivo. Suja os rios. Incendeia as matas. Mora sem pensar em áreas de risco.

Pois é, me contaram que é assim no planeta dos macacos.