Onde estão as máquinas de escrever?

Vocês se lembram das máquinas de escrever? O anúncio aí ao lado vende uma Remington portátil, “perfeita para utilização em fazendas” no interior, no longínquo ano de 1927 do século passado. E, pelo jeito, era uma baita novidade, o notebook da época!

Curiosa e sinceramente, não sinto nenhuma saudade delas, talvez por ter trabalhado uns bons quinze anos atrás de uma, desde as remotas Underwood, no Exército, até as moderníssimas IBM eletrônicas, já nas Docas de Santos.

Para nossa sorte, tudo mudou quando os primeiros computadores pessoais e seus editores de textos apareceram e ninguém mais conseguiu viver sem um. As velhas máquinas encerraram seus dias em porões, ferros velhos ou em museus, como relíquias de uma época que já era.

Até que um dia…

Bom, descobrimos que o Obama estava espionando o mundo inteiro, democraticamente sem escolher ideologia, religião, cor ou sexo A Rússia imediamente anunciou a aquisição grande quantidade de máquinas de escrever para seus serviços de informação. O Brasil, para não ficar atrás, também avisou que pode fazer o mesmo. De repente, todo mundo saiu em busca de suas velhas Remington, Olivetti, Hermes Baby, Smith Corona, Facit, IBM, Royal e por aí vai. E foi com pesar que descobriu-se que a última fábrica desses equipamentos, a indiana Godrej & Boyce, encerrou sua produção em 2009.

Talvez os antigos comerciantes consigam desencalhar as derradeiras máquinas até que alguém se lembre que um dos motivos para sua decadência foi a notória falta de segurança. Ou já se esqueceram do papel carbono? Para mim, isso nem seria um motivo plausível, já que não sou espião, lobista ou político. Mas só de lembrar a trabalheira para corrigir uma simples letra trocada em um texto, fico com arrepios.

De qualquer maneira, reconheço que gostava delas, principalmente as elétricas alemãs da Olympia, verdadeiros blindados Panzer com teclas. Mas, sério mesmo, prefiro que elas apenas ilustrem este post, talvez mostrando que seu dono aprecia o ofício de escrever. E, de toda essa confusão de espionagem, digna de um romance de qualidade duvidosa, que fique uma lição e conselho: respeitemos sempre a privacidade alheia.

Mas, sei lá, isso é pedir demais, reconheço. E assunto para outro post…