Cinemas perdidos

Não gosto de ficar reclamando do tempo que passou. Também não sou saudosista e, sinceramente, vivemos tempos mais abertos e saudáveis, mesmo aqui no Brasil. A tecnologia avança em todos os campos e podemos ter uma vida melhor e mais confortável, sem os limites que nossos pais e avôs encontravam.

No entanto, algumas coisas novas me incomodam. A falta de cinemas, por exemplo: nasci e cresci em um bairro onde, por alto, podia escolher entre umas dez salas de exibição (algumas de altíssima qualidade) para assistir o que eu bem entendesse. Um belo dia, cismaram que cinema de rua era perigoso, não tinha estacionamento, etc. e tal e inventaram as tais salas kinoplex dos shopping centers, pequenas e pasteurizadas.

Ora, como o shopping mais perto de Copacabana fica em Botafogo, só restou o bravo Cine Roxy que, para atender aos tempos modernos, teve sua imensa sala de projeção dividida por três. E estou falando de um bairro referência do Rio para o turismo nacional e internacional. A falácia que nos venderam não se sustenta e basta ver a Europa, onde encontramos belos e tradicionais cinemas nas ruas de suas principais capitais.

É, eu sei, o choro é inútil e essa tendência tomou conta do Brasil. Dá pena ver no lugar do Metro Copacabana uma loja de roupas, um banco no lugar do Caruso e uma mega-academia de ginástica onde ficava o Cine Copacabana, famoso pelo seu ar-condicionado estupidamente gelado.

Tudo bem, o mundo gira e a Lusitana roda, como dizia uma propaganda daqueles tempos. Hoje posso assistir filmes no computador, televisão e, se bobear, até no iPhone. É muito fácil encontrar os últimos lançamentos e o aluguel por stream fica cada vez mais em conta. Títulos perdidos ou raros não são problema para encontrar na rede e ainda por cima, o conforto de ver um filme em casa, com boa companhia, no escurinho da sala, é sempre aconchegante.

Mas quando lembro que ir ao Metro Copacabana, assistir uma estreia era O programão, principalmente com a namorada de plantão, não dá para deixar de ter saudades. Perdemos todos com o fim do cinema de rua, essa é a grande verdade.

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Grandes cinemas pedem grandes filmes, não é verdade? O melhor espetáculo (e não dá para usar outra denominação) que assisti, nesses mais de sessenta anos de vida, foi o “2001 – Uma odisseia no espaço”, em Supercinemascope, na antiga sala de exibição do Cine Roxy, uma experiência pra lá de sensorial, onde imagem, som e roteiro conseguiam tirar o espectador da poltrona e se sentir jogado em um buraco negro espacial.

Outra grande experiência foi o filme “Grand Prix” em Cinerama, também lá no Roxy. Filmado com auxílio da NASA, que emprestou uma série de câmeras especiais usadas nos carros de corrida e um sonzão em 360º, que nos colocava dentro de um Fórmula Um, nas ruas do circuito de Mônaco. Um barato e pena que o sistema não durou.

No bom e infelizmente extinto Cine Rian, que ficava na Avenida Atlântica, em pleno Posto 4, assisti a estreia de Help!, com os Beatles, na abertura do, se não estou enganado, 1º Festival Internacional do Cinema, que teve como grande vencedor exatamente esse filme. O problema é quem não deu para ouvir nada, tal a gritaria das meninas dentro do cinema. Acho que foi o mais perto que chegamos da histeria da beatlemania por nossos trópicos.

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De qualquer maneira, ir ao cinema era um barato, principalmente para namorar. As últimas fileiras de poltronas ficavam lotadas e no fim da sessão, duvido que alguém lembrasse sequer do nome do filme que estava passando! Sei lá, acho que no fundo mesmo é disso que sinto falta. Afinal, namorar assistindo um DVD na tela de um notebook não é a mesma coisa, que me perdoem os mais novos.

Prá não dizer que não falei de flores

Um dos grupos mais interessantes que frequento no Facebook – a rede social mais popular aqui e agora – é o “Fotografando Nova Friburgo”, cujo objetivo é “procurar novas fotos e retratos de nossa cidade”. Qualquer usuário do Face que curta ou tenha algum um tipo de câmera fotográfica pode participar e o endereço é o https://www.facebook.com/groups/FotografandoNovaFriburgo/.

O mais divertido, no entanto, são as gincanas. Durante uma semana é sugerido um tema para fotografar. Podem ser personalidades, calçadas, montanhas, animais, ruas, insetos, aves e por aí vai. O vencedor, eleito por votação direta de todos os participantes, escolhe o assunto da semana seguinte. Uma ideia simples que vem produzindo boas fotos e ótimas amizades.

Um dos temas que fez mais sucesso foram as flores e não por acaso, afinal Nova Friburgo é pródiga nesse setor. Basta andar pelas ruas da cidade, em qualquer bairro e reparar nos quintais, jardins, praças e até mesmo terrenos baldios. Flores de todos os tipos nos aguardam em cada esquina, sem nenhum exagero, é claro. Aliás, para quem não sabe, o município serrano é o maior produtor do Estado do Rio e o segundo do país, principalmente o cultivo de rosas, cravos, crisântemos e bromélias.

O condomínio onde moro é um bom exemplo mas, já que recomendo uma caminhada pelos jardins do Nova Friburgo Country Club, uma área de 80 mil metros quadrados projetados pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, o mesmo que idealizou a Quinta da Boa Vista, no Rio. Ali, entre diversos tipos de flores, árvores, riachos e lagos, talvez esteja um dos mais belos parques do Brasil.

Sou um completo analfabeto quando o assunto são flores mas sei muito bem que como “modelos” para fotos, são imbatíveis! Flores são tão bonitas que nem precisam fazer pose. Nunca reclamam da nossa demora para “acertar” a câmera, não se mexem e algumas até nos presenteiam com um perfume gostoso e elegante. Decididamente, fotografar flores é Zen e se for em Nova Friburgo é o próprio Nirvana!

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Uma dica para os turistas: o outono é, possivelmente, a melhor época para sair por aí com uma máquina fotográfica nos ombros, clicando Nova Friburgo pra cima e pra baixo. O céu muito azul contrastando com a mata verde, a luminosidade e o tempo frio na medida certa são um convite para tirar a câmera fotográfica da gaveta e subir a serra.

O grande pintor francês Matisse, afirmava que “sempre há flores para aqueles que querem vê-las”. No caso de Nova Friburgo, felizmente elas estão por todos os lados e até mesmo quem não tem o menor jeito para cultivá-las, como esse cronista que vos escreve, pode registrar seu curto momento de beleza com uma câmera fotográfica qualquer. Basta tentar e se surpreender com o resultado.

Afinal, como os poetas cantam, flores não foram feitas apenas para reprodução, elas também emocionam.

O Grande Irmão existe!

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“1984” é um romance do escritor inglês George Orwell, publicado 1949, retratando o cotidiano de um regime político totalitário e repressivo no ano homônimo. Efetivamente Orwell mostra como uma sociedade oligárquica coletivista é capaz de reprimir qualquer um que se opuser a ela. “Grande Irmão”, o centro do poder, é uma figura abstrata. Ninguém o conhece pessoalmente, mas todos os cidadãos vêem seu rosto em telões, instalados em locais públicos e nas salas das residências. Não é possível se esconder, pois, por meio de telões, ele também poderia ver seu interlocutor

A história é narrada por um homem que recebe a tarefa de perpetuar a propaganda do regime através da falsificação de documentos públicos e da literatura a fim de que o governo sempre esteja correto no que faz. O romance se tornou famoso por seu retrato da difusa fiscalização e controle de um determinado governo na vida dos cidadãos, além da crescente invasão sobre os direitos do indivíduo.

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– Você não pode ter 100% de segurança e ter também 100% de privacidade e 0% de inconveniência – salientou. – Nós temos que fazer algumas escolhas como uma sociedade. (Barack Obama, presidente dos USA, 7/6/2013)

No mesmo dia em que o governo americano admitiu ter o acesso a registros telefônicos de milhões de pessoas, o jornal “Washington Post” revelou que a Agência de Segurança Nacional (NSA) e o FBI estão conectados aos servidores centrais das empresas Apple, Facebook, Google, Microsoft, Yahoo, PalTalk, AOL, Skype e YouTube, extraindo áudios, vídeos, fotografias, e-mails, documentos e registros de conexão que permitem o rastreamento de movimentações e contatos de uma pessoa ao longo do tempo.

O governo americano admitiu nesta quinta-feira o acesso a registros telefônicos de milhões de pessoas e defendeu a prática como necessária para proteger os cidadãos contra ataques terroristas. A confirmação de um alto funcionário do governo veio depois que o jornal britânico “The Guardian” publicou em seu site uma ordem judicial secreta relacionada a dados de clientes da empresa de telefonia Verizon, acessados pela NSA.

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Os dois jornais mais influentes dos Estados Unidos, The New York Times e The Washington Post, publicaram duros editorais, protestando e cobrando explicações sobre essas violações da privacidade: President Obama’s Dragnet e The government needs to explain about the NSA’s phone data program. É bom lembrar que as escutas começaram em 2007, no governo do George W. Bush. Barack Obama, que foi eleito criticando a invasão de privacidade das forças de segurança do país, abraçou imediatamente a ideia, ampliou-a e, como tantos outros políticos, escondeu a verdade.

Apesar de não ser “abstrato”, é ou não é o próprio “Grande Irmão”?

Fontes: Agência Globo, Folha de São Paulo, The New York Times e The Washington Post.

Ódio nas redes sociais

A edição de maio da revista Info traz uma oportuna reportagem sobre a agressividade nas redes sociais. Ofensas, preconceitos e bullying são encontrados cada vez mais nos comentários. Apropriadamente intitulada de ”Ódio.com”, a matéria traz depoimentos de usuários, personalidades, psicólogos, advogados e mostra como empresas como o Facebook e o Twitter lidam com esse comportamento.

Segundo a revista, “nos grandes portais, boa parte das notícias publicadas é imediatamente respondida com opiniões preconceituosas que muitas vezes não têm nenhuma relação com o tema da reportagem. O cenário é ainda pior nas redes sociais, com seu constante estímulo a opinar sobre tudo, a qualquer momento, sem uma análise racional sobre os assuntos comentados”.

E mais: “a necessidade de comentar e de ter opiniões fortes sobre todos os assuntos pode ser resultado de um desiquilíbrio em sua vida social. Como é difícil falar diretamente com um político ou com uma celebridade, a web faz o papel de ponte. (…) Na internet, a pessoa tem a ilusão de resolver problemas com os quais não consegue lidar na vida real, por falta de coragem ou de autoridade”.

Quem tem blogs conhece muito bem esse problema: basta publicar alguma coisa sobre um tema polêmico como aborto, religião, futebol ou, principalmente política, para ficar sujeito a críticas quase sempre sem embasamento, patrulhamento ideológico de diversos matizes e até mesmo xingamentos e ameaças!

Tem saída? Bom, nos blogs existe a função moderação, que só permite a publicação do comentário após sua aprovação pelo autor da postagem. Ofensas gratuitas, opiniões homofóbicas, racistas, misóginas, spam descarado ou simples trolagem são devidamente deletados na raiz. Esse, aliás, é um dos defeitos das redes sociais: as pessoas escrevem sem pensar e acabam dando vazão a um lado da personalidade que não é mostrado na vida real.

É bom lembrar que a lei brasileira pune esse tipo de comportamento e as próprias redes sociais possuem instrumentos para coibir (e até banir) seus usuários mais exaltados (ou antissociais mesmo). A justiça tem sido acionada em casos de injúria e perseguições e o Congresso aprovou a chamada lei Caroline Dieckman, tipificando os chamados delitos ou crimes informáticos.

A questão que a reportagem deixa em discussão é até onde chegará todo esse ódio. Será que essas discussões insanas não acabarão afastando os criadores de conteúdo, desqualificando um serviço tão útil?

Imagina na Copa

A Voz da Serra, 6/4/2013

Calçadão da Avenida Atlântica, noitinha, lá na altura da Siqueira Campos. Tempo bom, temperatura por volta dos 24º, muita gente passeando ou se exercitando, ciclistas e corredores para cima e para baixo na ciclovia e os quiosques movimentados. Já quase no final de minha caminhada treino, sou surpreendido por um homem enorme e muito gordo, passando por mim correndo, com um revolver em uma das mãos!

Por puro reflexo, desviei rapidamente para o lado da areia, evitando fazer qualquer contato visual com o, digamos assim, elemento. Imediatamente dois policiais militares me ultrapassaram, sacando as suas pistolas. Por um momento fiquei entre os três, esperando a hora que ia virar um óbvio alvo humano. Desacelerei e pulei na areia, buscando proteção na beira da calçada.

Ninguém atirou em ninguém. O suposto ladrão atravessou as pistas, em direção ao centro do bairro mas não teve folego para prosseguir. Os dois PMs facilmente o renderam sem violência. Foi aí que apareceu a vítima, um garoto russo, que saiu lá dos confins da Europa para ser assaltado no Brasil. Coitado, turista sofre.

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Rua Barata Ribeiro, Posto 4, Copacabana, duas e trinta da tarde. Assim que dobrei a esquina com a Dias da Rocha percebi o tamanho da encrenca: uns trinta garotos, divididos em 3 grupos, nas duas calçadas e no meio da via, bem espalhados, quase que ocupando o todo o quarteirão, caminhavam sem camisas, provocando os pedestres e cercando os carros na rua. Fechando o bando, uns quatro marmanjos bem fortes, dois de cada lado, como se seguranças fossem…

Imediatamente entrei no primeiro botequim que achei, junto com outros incautos, esperando a horda passar. O sentimento de todos ali, era de desalento com o abandono e falta de perspectiva daqueles jovens e revolta com a tal pacificação vendida pelo governo do estado e os jornais cariocas. Os garotos seguiram em direção ao Leme, aparentemente só com intuito de intimidar. Como bons cariocas, logo formamos os inevitáveis grupinhos para discutir esse quase “arrastão”. A conclusão foi unânime:

– Se isso acontece agora, imagina na Copa?

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E tem mais. O caso abaixo foi narrado por uma amiga nas redes sociais, textualmente:

“Cena de terror, ontem ao sair do trabalho…Caramba nunca havia passado por tamanha situação. Sai de carro do meu trabalho normalmente, peguei o túnel Rebouças. O trânsito estava lento, é claro. Quando sai do túnel, já no viaduto Paulo de Frontin, percebi que uma moto parou o trânsito literalmente, ficando de lado em frente a um carro. Eu era o quinto ou quarto carro atrás. De repente, um tumulto, todo mundo saindo do carro gritando que era um assalto. Fiquei apavorada, tremia como nunca tremi. Larguei o carro, peguei minha bolsa e meu laptop (não sei porque), corremos todos e, de repente escutamos dois tiros. Não sabíamos de onde vinham. Todos se agacharam no chão do viaduto, inclusive eu. De repente surgiu um homem abençoado, que estava parado no carro do meu lado, com uma pistola na mão dizendo que era policial e que iria na frente de todos. Aí os assaltantes correram e o todos voltaram para os seus carros, deixando o carro do policial ir na frente. Parecia um comboio. Tinha carro que não sei como conseguiu virar do lado contrário (na contramão). Só parei de tremer de fato, quando cheguei em casa, tomei muita água, pois minha boca parecia que não tinha saliva. Essa é a nossa Cidade Maravilhosa que receberá o jogo da Copa do Mundo e as Olimpíadas. Que Deus nos proteja sempre ao sairmos de casa, pois nunca sabemos se vamos voltar.”

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A questão é determinar até que ponto ações de marketing podem mudar a percepção que temos de uma cidade. No caso do Rio, o bordão que todos os cariocas usam para manifestar seu espanto e revolta diante de cenas de descaso, incompetência, violência e incredulidade diante do apetite voraz dos corruptos, o já nacionalmente famoso “imagina na Copa”, é apenas um desabafo, claro.

Pessoalmente, não tenho a menor dúvida que a Copa do Mundo será realizada sem maiores problemas. O dia seguinte é que me apavora…

Colégio Anchieta

Ícone de Nova Friburgo, o Colégio Anchieta foi fundado por padres e irmãos jesuítas vindos da Itália, no dia 12 de abril de 1886, funcionando inicialmente na casa-grande de uma antiga fazenda do Morro Queimado, chamada de “Château” pelos colonos suíços. Em 1908 inaugurou o prédio em estilo neoclássico, que ocupa até hoje. Sua conservação serve de exemplo para outros imóveis históricos de nossa cidade. Sem dúvida, vale uma visita e um passeio pelos seus jardins.

Fotos: Carlos Emerson Junior

Uma tarde nas compras

A gente luta, protesta, resiste, esperneia e até mesmo grita mas não tem jeito, por bem ou por mal acaba tendo que fazer as compras de Natal! No meu caso, nem deu para argumentar, a Vivo deletou minha conta de telefone de Friburgo e a única maneira de abrir uma nova é nas lojas oficiais das operadoras que, por uma estranha coincidência, funcionam nos melhores e piores shopping centers do Rio.

Encarar a loja da Claro até foi moleza, surpreendentemente vazia. Chip novo comprado, ativado e instalado, lá fomos nós para a segunda e mais importante tarefa do dia, segundo a ala feminina da família, atacar a lista de presentes. Haja pé para andar, sacolas para carregar e dinheiro para gastar. Santa Claus, me ajude!

Mas nem tudo é tão ruim assim, juro! Foi sair da loja da operadora para o celular com a linha de Nova Friburgo tocar:

– Oi Fred, você já está na Prefeitura?
– Não meu amigo, eu sou o Carlos e estou no Rio Sul.
– ??????
– Pois é… e não precisa me dar os pêsames.
– Hahahaha, desculpe Carlos e boas compras.
– Isso é ironia, né?

Pois é, o camarada liga errado e ainda tira sarro! Eu mereço, até mesmo porque a partir daí começou a chover na cidade e todo mundo que estava na rua (e até mesmo em casa, carioca tem umas manias estranhas) resolveu vir para o shopping. E tome fila nas escadas rolantes, nos banheiros, nas lojas mais populares, nos restaurantes e lanchonetes. Caminhar carregando umas dez sacolas em cada uma das mãos passou a ficar muito complicado.

De qualquer maneira, que remédio, a gente acaba se divertindo. Afinal é dezembro, o Natal vem aí mas depois dessa data o mercado só vai exigir nosso sacrifício aos deuses do consumo no mês de maio do ano que vem, no Dia das Mães. Até lá, dá para recuperar o prejuízo (e o juízo).

Boas compras!

O futuro do livro é agora

1822

A chegada da Amazon e da Livraria Cultura no mercado brasileiro, com suas lojas online e leitores eletrônicos, agitou e talvez tenha sido a grande novidade deste final de ano. O jornalista Pedro Dória, um dos meus gurus em tecnologia, no entanto alerta:

“Faz meses, já, que o mercado brasileiro vinha sendo aquecido para a chegada dos e-books. E, aí, tanto Livraria Cultura quanto Amazon se lançaram ao jogo no mesmo dia. Alguns dos acordos com editoras foram fechados em cima da hora. E, isso desaponta por certo os consumidores, os preços não são tão mais baixos assim. De cara, parece injusto. Mas é tudo resultado de uma dança complexa.”

É verdade, os preços não são os mesmos da loja americana, pelo contrário. Um acordo com as principais editoras brasileiras impede que os descontos do livro eletrônico ultrapassem 20%, 30% dos seu similar impresso e o Kindle lançado aqui não pode ser considerado uma pechincha.

No entanto, acredito na reversão desse quadro. Na estreia do site, comprei imediatamente três livros, o famoso “1808” do jornalista Laurentino Gomes, “Inferno: o mundo em guerra 1939-1945” de Max Hastings, curiosamente muito bem resenhado e recomendado pela querida Cora Rónai em sua crônica da semana retrasada e “O Vendedor de Passados”, do angolano José Eduardo Agualusa. Nenhum deles custou mais do que 28 reais, bem abaixo dos 40 reais que já tinha encontrado em suas edições impressas na Saraiva e Travessa.

Sou leitor compulsivo de livros e usuário constante de um Kindle Touch, que comprei de uma filha que esteve no exterior. A facilidade de manuseio, o peso levíssimo e a qualidade de sua tela, emulando uma página de livro, tornam a leitura um prazer em qualquer lugar e, não à toa, é o meu fiel companheiro inclusive nas longas viagens para o Rio. Aliás, se deixar levo o tablet para qualquer lugar. Quer programa melhor do que sentar num café para ler um livro?

Pois é, mas o grande benefício da vinda da Amazon ainda não chamou a atenção. De agora em diante, novos escritores poderão publicar seus trabalhos diretamente na loja online, o que deve abrir um enorme espaço para a entrada de bons nomes no mercado.

A verdade, meus caros, é que por mais que quem adore uma capa ou cheiro de papel fique pressuroso com o futuro dos seus amados livros impressos, não há como negar que o livro eletrônico chegou para ficar.

Fim de semana no Rio

A Voz da Serra

A movimentação começou no sábado, bem cedinho: caminhões estacionando, o pessoal do trânsito fechando uma parte da via, tendas montadas na calçada, holofotes, rebatedores de luz e equipamentos de som para todos os lados, um gerador enorme alimentando toda essa parafernália. Apesar da chuva fina que caia desde a véspera, a equipe de filmagem de “Mato sem cachorro” montou o seu set bem na nossa rua e sem mais delongas, iniciou os trabalhos. Afinal, tempo é dinheiro, não é mesmo?

O que parecia ser um transtorno acabou virando diversão pura e o relacionamento com os moradores foi tão bom que ficamos com pena quando as filmagens terminaram no domingo. O trânsito não foi afetado e o único pedido dos produtores foi para que o público fizesse silêncio quando as cenas eram gravadas. Os três principais protagonistas, Leandra Leal, Bruno Gagliasso e um cachorro da raça Border Collier são muito simpáticos, apesar do último não ter entendido o meu pedido de autógrafo!

Para quem ama o cinema, foi uma festa. Gostei e fico pensando que o Rio, uma cidade tão fotogênica e receptiva, bem que podia ser mais usada para essas atividades tal como Nova York, que se orgulha de receber a produção de quase todos os filmes e séries em suas ruas e praças. E olha que o novaiorquino é muito mais fechado que do que nós!

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Você já se sentiu um turista na cidade onde nasceu, cresceu e morou a vida inteira? Pois é, foi exatamente essa a sensação que tive neste final de semana chuvoso e solar, na Cidade Maravilhosa. Uma coisa eu garanto, faz tempo que via tantos “gringos” por metro quadrado como em Copacabana. A cidade, ou melhor, o bairro está bem policiado e, finalmente de forma discreta, sem aqueles fuzis apavorantes pendurados nas janelas das patrulhas. A sensação de segurança melhorou e quando o sol saiu, todo mundo foi para as ruas, no caso, a praia.

No entanto, colocando-me no lugar de um turista (o que de certa forma não é mentira, já que moro aqui em Nova Friburgo), senti falta de placas indicativas em inglês. Aliás, chega a ser preocupante o desconhecimento da língua inglesa pela população carioca. Pouquíssimos motoristas de táxi dominam o idioma e, inexplicavelmente, as informações dos novos pontos de ônibus e das estações do metrô são apenas em português. Se o Rio quer fazer bonito nos Jogos Olímpicos de 2016, tem que começar a mudar esse quadro agora.

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O uso das bicicletas no Rio cresceu exponencialmente. Mesmo que a maioria ainda as use para o lazer, é indiscutível que as novas ciclovias e ciclofaixas são úteis e o serviço de aluguel é um sucesso. O sistema é barato e a liberação é feita através de qualquer celular, de forma prática e segura. Não por acaso, a empresa já fala em ampliação e, graças ao uso intenso, os casos de furto e vandalismo diminuíram drasticamente.

Numa boa, torço para que os cariocas percebam que as bikes são a saída mais simples para evitar a que o trânsito do Rio fique igual ao de São Paulo. O mesmo vale para a minha querida Nova Friburgo.

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Incompreensível mesmo é ver o comércio de rua fechar as portas a partir de uma hora da tarde dos sábados e não abrir nos domingos. Já ouvi falar que isso se deve à concorrência dos shoppings mas, será mesmo? Quem garante que pessoas vão aos, está bom, centros de consumo exatamente porque as lojas do bairro não estão abertas? Os moradores do Rio adoram as ruas e, a não ser no alto verão, quando o calor fica insuportável, não vejo nenhum motivo para pegar uma condução e bater perna dentro de um edifício sem uma vista sequer.

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Fiquei com pena, mas não deu para conferir a mostra “Impressionismo: Paris e a modernidade”, que está levando uma multidão ao Centro Cultural Banco do Brasil, no centro da cidade, para apreciar algumas obras de gênios como Monet, Renoir, Cézanne e Van Gogh. Mas tudo bem, tenho até 13 de janeiro do ano que vem para repetir um final de semana como turista no Rio.

Aliás, um programão, palavra de carioca.

Foto: Carlos Emerson Junior