Renascer

Foto: Carlos Emerson Jr.

Algum dia, não sei quando, desapareceremos do planeta Terra, nossa casa tão mal tratada. Não importa se será em consequência de uma catástrofe ambiental, uma guerra nuclear ou, simplesmente, pela apatia e desinteresse em prosseguir uma jornada de violência, destruição, ódio e desamor.   Nossas lembranças, virtudes e cultura ficarão como um legado para ninguém.

Desse dia em diante, as cidades serão apenas ruínas, os imensos pastos do interior brasileiro serão tomados pelas matas mas, infelizmente, milhões de animais que dependem de uma forma ou outra dos homens, perecerão com fome e sede. Em compensação, outros milhares, selvagens e mais adaptados e buscarão alimentos e abrigos no que restou das fábricas, usinas, barragens, hotéis, hospitais, quartéis e demais construções e espaços construídos pelo homem.

Os rios voltarão aos leitos originais e correrão para o mar limpos e piscosos como todos os rios já foram um dia. Os oceanos, por sua vez, livres de vazamentos de óleo, naufrágios de cargas poluentes, despejo de esgoto e lixo radioativo e todo o tipo de mazelas, explodirão de vida marinha, nutrientes e, quem sabe, algum dia seja berço de uma nova vida inteligente, mais adaptada. O ar que um dia respiramos será completamente diferente, limpo e saudável. 

Algum dia, não sei quando, a humanidade se vai e o planeta Terra renascerá e viverá em paz.

Suspeita clínica não é uma clínica suspeita

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Ou o suspeito é sempre o culpado. A palavra, não o cidadão, que tem à sua disposição o direito de defesa em primeira, segunda, terceira, quarta e sei lá quantas instâncias, ainda mais se for amigo de um magistrado ou puder pagar um advogado de primeira linha. 

Mas vamos ao caso: a suspeita caminhava de maneira suspeita por uma suspeitíssima viela numa comunidade carioca prá lá de suspeita. Por sua vez, em uma viatura da policia, suspeita, é claro, policiais observaram a atitude suspeita da suspeita e, de uma forma muito suspeita, a abordaram. Um “di menor” que passava por ali, viu a cena e, suspeitosamente saiu correndo morro acima.

Pois é, hoje a imprensa usa e abusa do suspeito, mesmo quando o elemento é pego com a mão na botija ou melhor, com uma arma na mão atirando em uma infeliz vítima. Querem um exemplo? Aquele monstro que trancou duas mulheres no banheiro da casa , incendiou o imóvel e fugiu, matando as duas queimadas. Alguns jornais do Rio chegaram a noticiar que o suspeito estava exaltado, o suspeito foi preso, o suspeito é isso, o suspeito é aquilo e por aí vai.

Um cidadão acima de qualquer suspeita. Já ouviram muito essa expressão, não é mesmo? Ela é clara, objetiva, curta e grossa; trata-se de uma pessoa com a reputação ilibada, que não pode ser acusada de nenhuma falta, um cidadão honesto e confiável. Quanto governadores do Estado do Rio, legitimamente eleitos, estão presos por, digamos, mal feitos?

No Direito “suspeito é uma pessoa relativamente à qual existam indícios não muito fortes que revelem sua proximidade com um crime que cometeu, participou, ou prepara-se para participar”. Ou em português claro, o cidadão pode ser um safadão, mas não temos como afirmar isso sem provas, correndo o risco de  incorrer em uma injustiça.

Se pararmos para pensar, somos todos suspeitos de alguma coisa e isso traz consequências desastrosas, como o da Escola de Base em São Paulo, caso típico de linchamento moral totalmente equivocado ou de má-fé, precursor dos famigerados cancelamentos que tomaram conta das redes sociais e tentam colocar sob suspeita qualquer um que escreva, fale ou filme algo que não agrade o sem noção da vez.

E piora: maridos suspeitando (e matando) suas companheiras. Policiais e similares prendendo, batendo e até mesmo eliminando negros com a infame desculpa que o “indivíduo estava em atitude suspeita”! E o que seria, para essa gente, uma atitude suspeita? Tratar mal uma pessoa humilde porque ela é isso, simplesmente humilde, automaticamente uma suspeita em potencial? Quem somos nós para julgar alguém?

É óbvio que a maioria dos suspeitos de hoje são bandidos mesmo, dos brabos, sem a menor suspeita, mas cabe somente à Justiça e a Deus decidir o seu destino. Nossa indignação é justa e necessária, até mesmo para cobrar seriedade, celeridade e correção nas investigações, mas daí a querer fazer justiça com as próprias mãos é incorrer em um crime maior ainda.

Enfim, não sou (até onde sei) suspeito de nada, a não ser, talvez, não saber quando terminar uma crônica. Ah sim, suspeita clínica é uma expressão médica designado a hipótese do diagnóstico de um paciente. Já uma clínica suspeita… Bom, quando eu era criança (e coloca décadas nisso) era aquele lugar também conhecido como fábrica de anjinhos, sem suspeita mesmo! Hoje em dia nem imagino o que fazem.

Uma boa semana para todos e vamos suspeitar menos e amar mais. Faz bem para a saúde e para a alma.

Flores de Novembro

Fotos: Carlos Emerson Jr.

Para um domingo sem eleição (Nova Friburgo não tem segundo turno), que tal umas flores para amenizar o ambiente e alegrar o final do dia, vença quem vencer? Uma curiosidade, hortências são muito comuns por aqui mas em dezembro e janeiro, com o calor. Essa da foto, pelo visto, gosta de um friozinho…

Uma boa semana.

Oração

“Concedei-me, Senhor a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não posso modificar.
Coragem para modificar aquelas que posso e
Sabedoria para conhecer a diferença entre elas.”
(Trecho da Oração da Serenidade)

Não sou religioso, crente, teólogo, padre, sequer um católico praticante. Pelo contrário, grande parte de minha vida mantive Deus a uma distância segura de convicções materialistas, leituras científicas e principalmente, minhas fraquezas, decepções e frustrações. Com a idade (como a gente aprende com o tempo…) fui percebendo que verdades não são imutáveis e nossas crenças (ou a falta delas) oscilam de acordo com momentos, realizações, alegrias e, é claro, sofrimentos.

Mas o objetivo da crônica não é falar de mim e sim prestar uma pequena homenagem a oração, princípio básico que rege todas as religiões desse mundão, sejam elas quais forem. Quem nunca se emocionou com a Oração de São Francisco de Assis, um apelo emocionante, simples e direto em busca e em favor da humanidade?

“Senhor, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado.Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna.” (Oração de São Francisco de Assis)

Rezar ou orar é falar com Deus, mas também abrir o coração para nós mesmos, admitir nossos preconceitos, medos, ódios, dúvidas, paixões. É quase um estado de graça, um mantra, uma meditação, como queiram. É uma benção que temos para aliviar nossas dores internas, chorar vidas queridas perdidas, implorar por força para enfrentar obstáculos, pedir alimento, água e abrigo quando estamos sós e tristes.

“Que eu possa ser o refúgio dos seres sem refúgio.
Possa ser o protetor dos seres sem protetor.
Que eu possa ser a morada de seres sem moradia.
Possa ser o país dos seres sem país.
Que eu possa ser o amigo dos seres sem amigos.
Possa ser o apoio dos seres sem apoio.”
(prece budista)

Martinho Lutero, monge agostiniano alemão, principal nome da reforma protestante, escreveu que “muitas vezes fui levado à oração pela irresistível convicção de que este era o único lugar para onde podia ir.” Foi exatamente essa atração que me levou a rezar com fé, a conversar com Deus, a ouvir o que meu eu estava falando. A acreditar que a oração acalma, consola e dá esperanças.

Em seu artigo “Rezar funciona!”, o Rabino Shabsi Alpern ensina que “antes de tudo, a oração nos ajuda a aceitar a vontade de D’us. Mais ainda, a prece estimula o seguinte pensamento numa pessoa sincera: “Como mereço ser atendida?” Ela faz uma auto-análise que, por sua vez, gera mudanças construtivas de caráter, tornando-a mais receptiva à bondade Divina — uma bondade que está sempre emanando, mas que nem sempre o ser humano está em condições de receber. Este é o papel da oração sincera”.

“O amor é um oceano infinito,
cujos céus são apenas um floco de espuma.
Saiba que as ondas do Amor é que fazem girar a roda dos céus,
pois sem o Amor o mundo seria sem vida.”
(trecho de oração islâmica)

E é com muito amor no coração que peço licença para agradecer publicamente a Nossa Senhora por uma graça recebida. Obrigado por ouvir minhas preces, por me dar força e serenidade quando mais precisei. Essa crônica é dedicada a ela e a todos que rezam com fé, desapego e amor.

Vacina

Foto: Carlos Emerson Jr.

Poliomielite
Caxumba
Meningite
Febre Amarela

Sarampo
Varicela
Tifo
Rubéola

Gripe
Pneumonia
Coqueluche
Difteria

Tétano
Varíola
Rotavírus
e outras mais.

Vacinar, para quê?
Ora, que pergunta,
vacinar é um ato de amor!
É respeitar a si mesmo e o próximo.
Proteger nossas paixões, filhos, pais, amigos,
até mesmo… desconhecidos.

Vacinar é humanidade.
Vacinar é vida.

A liberdade e a máscara

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“A liberdade enfaticamente não inclui a liberdade de deixar outra pessoa doente. Não inclui a liberdade de se recusar a usar máscara no supermercado, espirrar em alguém na seção de hortifrutigranjeiros e transmitir o vírus. Isso não é liberdade para a pessoa que é espirrada. Para essa pessoa, a “liberdade” da primeira pessoa significa doença potencial e até mesmo uma sentença de morte. Nenhuma sociedade pode funcionar com base nessa definição de liberdade. Liberdade significa a liberdade de não ser infectado pelo idiota que se recusa a se mascarar.” (Michael Tomasky, The New York Times)

O artigo de onde tirei o trecho acima, foi publicado hoje no NYT, abordando o aumento de casos da Covid-19 e a questão do direito de cada um de usar ou não a máscara de proteção, item importante contra a infeção do vírus. Apesar de abordar a crise americana, cai como uma luva aqui no Brasil onde o número de pessoas que acreditam que a pandemia acabou é preocupante e os gestores, políticos, militares e os palpiteiros de sempre, não são do ramo.

Enfim, vale lembrar Bernard Shaw: “liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela.”

Bom domingo e ótima semana, amigos.

Eleições em novembro?

Correio da Manhã (Rio)

Já vou logo avisando, não voto em ninguém nas eleições de novembro. Aliás, para ser mais claro, não vou e sequer posso descer a serra até o Rio para cumprir minha obrigação cívica. Os motivos estão na cara, uma quimioterapia ainda por terminar, uma última cirurgia ainda por marcar e os setenta anos de idade que garantem minha isenção. 

Esclarecido esse ponto, vamos ao que interessa, quem está ganhando com isso? A democracia? Ora, façam-me o favor, o Brasil faz parte de um “seleto” grupo de 24 países (Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai, República Democrática do Congo, Egito, Grécia, Líbano, Líbia, Nauru, Tailândia, Bélgica, Austrália e as cidades-estados Luxemburgo e Singapura) que ainda adotam o voto obrigatório, uma barbaridade colocada na Constituição de 1934, durante a de Getúlio Vargas.  

A Constituição de 1988, feita por políticos para políticos, repetiu a dose. Só não contavam com a expansão dos meios de informação que nos ensinaram que em 230 nações, entre elas todas as consideradas do primeiro mundo, o voto é… Facultativo! Em 2014, uma pesquisa do Datafolha mostrou que 61% dos brasileiros era contra o sistema vigente. Alguém ligou? Que nada, todo mundo com cara de paisagem se entocou no Congresso, Palácios, etc…  

Os últimos anos vem desanimando cada vez o cidadão brasileiro. O ex-presidente sociólogo que se considera o mais bem preparado de todos os que vieram antes e os que virão depois, inventou a reeleição, um verdadeiro câncer político, já que o “ungido” passa todo o primeiro mandato com a cabeça no segundo e depois, já reeleito, o povo que se dane, vamos eleger o sucessor e aproveitar o máximo possível.  

Mas o que mais me desanima são os 6 governadores presos, afastados ou processados por corrupção, o impeachment de dois presidentes, ler nos jornais, dia sim, dia seguinte também, as listas de “autoridades” e “empresários” presos ou conduzidos coercitivamente à polícia para prestar “esclarecimentos” sobre atividades escusas. Mais lamentável é quando a justiça, invocando cláusulas obscuras, perdidas nos inúmeros códigos penais, processuais e quetais, solta todo mundo de uma penada só…  

E piora. A incompetência e a má fé são contagiosas e se espalharam pelas casas legislativas de todo o país. Com as exceções devidas e de sempre, a sensação é que nossos representantes estão mais preocupados com suas próprias vidas do que com o povo que os elegeram. Falta transparência e sobram conchavos, acordões, acordinhos, o diabo a quatro.  

A primeira eleição a gente nunca esquece e a minha foi um desastre só. Estou me referindo a de 1961, que consagrou Jânio Quadros, o da vassourinha. Eu tinha apenas 10 anos, mas nunca vi tanta esperança e alegria pelas ruas de Copacabana foi anunciada sua vitória. Infelizmente, o presidente não regulava bem e após apenas sete meses de governo, renunciou. O resto é história. 

Tenho pena da gente honesta, trabalhadora e de boa fé que investe o que tem e o que não tem para tentar mudar alguma coisa nesse país e se vê envolvida por raposas felpudas, para não dizer outra coisa, além dos esquemas escusos de sempre. Hoje, com os recursos tecnológicos, ainda tem que conviver com fanáticos e robôs nas redes sociais, desqualificando seu trabalho, difamando sua honra e ameaçando sua família. É duro!    

Enfim, por uma questão de saúde e uma profunda decepção com o Brasil, em novembro não voto! Ainda mais quando vejo uma lista com 16 nomes querendo a prefeitura de Nova Friburgo, a cara de pau de candidatos enroladíssimos com a lei liderando a eleição no Rio e por aí vai. Dá uma tristeza enorme e a certeza de que nós, brasileiros, não sabemos votar e desconhecemos a força que nosso voto poderia ter. Uma pena. 

Boa semana para todos os leitores. 

O apagão

Foto: Carlos Emerson Junior

Onde você estava quando as luzes se apagaram na noite da última sexta-feira, dia 2 de outubro? Pois é, peguei emprestado o título de um antigo filme da década de 60, com Doris Day e Patrick O’Neal para falar sobre o apagão que deixou no escuro cerca de 20 municípios fluminenses (incluindo Nova Friburgo), durante quase quatro horas. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, concessionaria local, problemas em 3 subestações de força de Furnas foram os vilões da história.

Eu estava em casa, lendo um livro e esperando que a máquina de lavar roupa completasse seu ciclo de lavagem quando, faltando uns cinco ou dez minutos para as cinco horas da tarde, o estabilizador de voltagem da geladeira apitou, um dos notebooks o acompanhou e a luz sumiu por uns quinze minutos.

Não dei a menor importância, afinal tenho experiência no ramo: na década de 50 e 60, criança ainda, convivi com os racionamentos de energia no Rio, dia sim e o outro também, em dois horários, um pela manhã e o outro à noitinha. Quando comprei o apartamento de Nova Friburgo, em um bairro praticamente desabitado e cheio de mata em volta, a luz ia e vinha ao sabor do vento, da chuva e do sol. Ah, e dos relâmpagos e trovões também!

Por volta das seis da tarde, fui abrir a porta de casa para minha mulher e, surpresa, a luz se foi de novo, só se normalizando às nove e meia da noite quando, completamente entediados, já avaliávamos a hipótese de subir para o quarto e dormir até o dia seguinte. Infelizmente nossos planos foram por água abaixo quando lembramos que a máquina de lavar, cheia de roupas, ainda tinha alguns ciclos a cumprir.

E foi isso. A luz iluminou, a lavadora lavou e a vizinhança reclamou, com toda a razão: imagina como ficaram os hospitais da cidade, cheios de cidadãos com o vírus? No dia seguinte, atrás de notícias, só conseguimos duas notas das empresas de luz aqui da região, avisando que não tinham nada a ver com isso e que passaram a noite remanejando as linhas de transmissão para manter o serviço ativo.

Furnas, por sua vez, publicou sua versão, atribuindo as falhas nas estações de Rio das Ostras, Duque de Caxias e Belford Roxo, garantindo que “as causas da ocorrência ainda estão sendo apuradas”. Tomara que sim. O que menos precisamos é de uma repetição dessa “ocorrência”, ainda mais depois de tantos anos sem maiores problemas.

E o legado da história? Achei uma caixa com 6 velas, comprada a uns vinte anos atrás, quando o Sans Souci ainda era um lugar isolado, praticamente sem luz. Quase um achado arqueológico.

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Aos idosos que não se entregaram, aos que ainda lutam para superar suas dificuldades e àqueles que cuidam uns dos outros, força e coragem para seguir em frente e vencer essa peste!” (Ana Borges, Jornal A Voz da Serra)

Muito oportuno e bem-vindo o belo artigo publicado no Caderno Z, do jornal A Voz da Serra deste sábado (que por causa do apagão circulou no domingo) escrito pela amiga e jornalista Ana Borges, sobre os mais atingidos pelo covid-19, os idosos, a turma que já passou dos 60, 65, 70, a minha turma, enfim. Oportuno, instrutivo e inspirador. Obrigado, Ana.

O link para leitura on line está aqui: https://avozdaserra.com.br/noticias/aos-idosos-que-nao-se-entregaram-e-aos-que-ainda-lutam-para-superar-dificuldades.

Deu no New York Times

Bom dia!

O editorial do NYT de hoje, traduzido e transcrito abaixo, é curto e grosso, apontando a irresponsabilidade,de uma elite política que só se preocupa com o povo na época de pedir seus votos. O castigo veio a cavalo, afinal o coronavírus não tem nada a ver com isso e uma quantidade enorme de participantes da festa está doente, inclusive o presidente dos Estados Unidos.

Parece até o nosso país, não é mesmo? O que os idiotas esquecem é que as vacinas ainda não estão prontas, os remédios são paliativos e sequer se sabe se quem já foi infectado está imune ao vírus. É claro que a quarentena não pode durar para sempre mas a abertura teve tudo menos critério científico e responsabilidade. Infelizmente as eleições de novembro estão aí e governadores, prefeitos e gente que não está nem aí para a saúde pública, agem às cegas, de olho apenas em sua votação. Aliás, a próprio evento em plena pandemia é simplesmente uma lástima!

Enfim, continuem evitando aglomerações, usem sempre a máscara e uma tenham uma ótima semana. Que Deus os abençoe.

Carlos Emerson Junior

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Os sacrifícios de muitos

Por David Leonhardt (The New York Times)

Foto: Alex Brandon (Associated Press)

Milhões de americanos passaram meses sem ver alguns de seus parentes mais próximos ou seus colegas. Eles cancelaram casamentos e formaturas. Eles disseram adeus aos entes queridos moribundos por telefone.

Mas quando muitos dos líderes políticos do país se reuniram na Casa Branca há nove dias para comemorar a nomeação de Amy Coney Barrett para a Suprema Corte, eles decidiram que as regras da pandemia que se aplicavam a todos os outros não se aplicavam a eles.

Alguns deles presumiram, erroneamente , que, por terem recebido um teste de vírus de resposta rápida ao chegar à Casa Branca, não podiam ser infecciosos. Outros simplesmente optaram por não pensar no vírus, ao que parece. Em vez disso, dezenas deles estavam sentados, sem máscara, a centímetros um do outro . Eles apertaram as mãos, se abraçaram e se beijaram. Depois de começar ao ar livre, o evento mudou para um ambiente interno, onde os participantes continuaram a comemorar como se fosse 2019.

Agora há motivos para acreditar que a reunião foi um evento super-disseminador do coronavírus. O presidente e a primeira-dama estão doentes, assim como dois senadores presentes, um ex-governador, o presidente da Universidade de Notre Dame e vários funcionários da Casa Branca, jornalistas e outros.

E qualquer pessoa infectada na Casa Branca naquele dia pode ter infectado outras pessoas posteriormente.

Andrew Joseph, da publicação de saúde Stat escreveu neste fim de semana que o evento na Casa Branca “oferece um estudo de caso no que os especialistas dizem ter sido a imprudência do governo”. O Times compilou fotos do evento, com etiquetas que identificam muitos dos participantes .

Rebecca Ruiz do Mashable tuitou , em resposta a uma foto da recepção interna para Barrett: “Eu não abracei meus pais desde 8 de março e eles não abraçaram seus netos desde então. Eu queria desesperadamente dar as mãos ao avô no aniversário dela e eu disse não, não podemos correr esse risco. ”

David French, do site conservador The Dispatch, escreveu : “Que contraste impressionante com a maneira como tantos milhões de americanos viveram suas vidas”.

Talvez a resposta mais pungente veio do presidente da Notre Dame, o reverendo John Jenkins. Nesta primavera, Jenkins argumentou que as faculdades tinham a obrigação moral de reabrir , para o bem do “corpo, mente e espírito” de seus alunos. Mas Notre Dame faria isso com cuidado, ele prometeu. Quando alguns alunos violaram as regras do campus dando festas – sem máscaras ou distanciamento social – e um surto de vírus se seguiu, Jenkins cancelou as aulas presenciais por duas semanas como punição e precaução.

No início da semana passada, antes mesmo de ficar claro que a Casa Branca ajudou a espalhar o vírus, Jenkins escreveu uma carta à comunidade de Notre Dame expressando pesar por seu comportamento ali. “Não consegui dar o exemplo, em uma época em que pedi a todos os outros membros da comunidade Notre Dame que o fizessem”, escreveu ele. “Lamento especialmente meu erro à luz dos sacrifícios feitos diariamente por muitos.”

(Publicado na edição de hoje da Newsletters “Morning”, do The New York Times).

Estúpida mente

Foto: Carlos Emerson Junior

Estupidamente só
Estupidamente apaixonado
Estupidamente romântico
Estupidamente feliz

Estupidamente gelada
Estupidamente estúpido
Estupidamente deliciosa
Estupidamente engraçado

Estupidamente caro
Estupidamente essencial
Estupidamente ridículo
Estupidamente inútil

Estupidamente genial
Estupidamente complexo
Estupidamente necessário
Estupidamente vivo

Estupidamente incorreto
Estupidamente violento
Estupidamente perigoso
Estupidamente proibido

Estupidamente viral
Estupidamente dramática
Estupidamente triste
Estupidamente morto.

E é isso… Culpa da estúpida mente.

Carlos Emerson Junior (setembro /2020)

Dois mil e vinte, o ano que nunca começou

Foto: Carlos Emerson

Trinta e um de dezembro de dois mil e dezenove. Toda a mídia, praticamente sem exceção, divulga as famosas previsões de astrólogos, videntes, cartomantes, tarólogos, religiosos, cientistas, analistas políticos, economistas, atores, músicos e celebridades diversas sobre o ano que está chegando. Vamos lembrar algumas?

“Para a carreira, as previsões para 2020 são muito boas. Tudo indica que no próximo ano aumentarão as oportunidades de trabalho”.
“Será um ótimo ano para colocar em projetos e planos em prática, muitas pessoas terão iniciativas.”
“O passaporte brasileiro será um dos mais cobiçados, e falando nisso, acordos bilaterais vão reduzir a necessidade de visto para vários países”.
“Sites de fofoca vão bombar: a tendência é haver traições e separações envolvendo artistas e poderosos em geral”.

Pois é, os sites de fofoca realmente estão com a bola cheia mas em compensação o mundo inteiro parou completamente por causa de um “resfriadinho” que ninguém previu. Que coisa! Janeiro e fevereiro ainda rolaram numa boa, sol, praia, carnaval, uma festa, apesar dos alertas da OMS e até mesmo do Ministério da Saúde, dando conta que havia alguma coisa estranha no ar. Literalmente.

Em março, diante do crescimento descontrolado do número de casos e mortes, os governos do planeta, impotentes, resolveram fazer a única coisa a seu alcance naquele momento: parar o mundo. E assim foi feito. O tempo foi passando, o vírus estudado, dissecado e, possivelmente transmutado reduziu a “poderosa” civilização do século XXI, quase oito bilhões de pessoas, a meros prisioneiros trancados em suas casas, tentando sobreviver da maneira o menos pior possível.

O resto é história e para ser honesto, tenho que registrar que as guerras pararam, o trânsito melhorou, o ar das cidades melhorou, a maneira de trabalhar mudou e a internet, ao contrário do que previram os filmes do James Cameron (lembram da Skynet?), salvou vidas, empregos e a educação de nossas crianças e jovens.

Pelo tempo que já vivi, não me iludo com essa de “dias melhores virão”. Moro no Estado do Rio e vi de perto o que a ganância, o desamor e a falta de vergonha na cara podem fazer. O caso dos sete hospitais de campanha usados para desviar dinheiro público em plena crise da saúde foi de uma canalhice sem igual. Roubar numa hora dessas deveria ser crime hediondo.

Mas vamos em frente e lentamente, assistindo pela janela as estações do ano passarem, apreciando as mudanças de cores das árvores da floresta que nos rodeia, os pássaros que vão e vem, as nuances dos diferentes céus de março até hoje, me dou conta que estamos no meio de setembro e o ano que não começou acaba daqui a 3 meses, com ou sem vírus, com ou sem vacinas.

Para mim, 2020 será o ano que descobri que tinha um câncer, fiz uma cirurgia e encarei uma quimioterapia em plena pandemia do Coronavírus. Não tenho a menor ideia do que virá pela frente mas, como sou brasileiro vou encarar numa boa. Afinal, se eu tivesse desistido, não estaria aqui escrevendo essa crônica!

PS: Mas decididamente, 2020 não existiu!

Carlos Emerson (setembro/2020)

Vírus Filho da Puta!

Shuterstock

Os números são terríveis: no mundo são 25.251.334 casos de Covid-19 e 846.841 mortes. O Brasil contribuiu até agora com 3.908.272 casos (15,47%) e 121.381 fatalidades (14,33%). Nosso desgovernado Estado do Rio tem 223.631 casos e 16.065 óbitos e Nova Friburgo, com 2.409 casos e 100 mortes, aparece lá embaixo mas com números preocupantes para uma cidade que não chega a ter 200 mil habitantes.

Enquanto isso assistimos, estupefatos, o afastamento de mais um governador, a prisão de dezenas de autoridades, políticos e empresários envolvidos em um revoltante e nojento caso de desvio de dinheiro da saúde, superfaturamento de hospitais, formação de quadrilhas, recebimento de propinas e diabo a quatro. Já são sete os chefes do governo fluminense presos, processados ou investigados e afastados por, digamos gentilmente, mal feitos.

Quem elegeu essa gentinha? Nós, é claro, que nos acostumamos a votar no menos pior, durante anos escolhemos representantes corruptos e inúteis para as casas legislativas, fechamos os olhos para os desmandos de pseudo autoridades desde que tenhamos carnaval, praia e futebol, não necessariamente nessa ordem; delegamos poderes da época do império a nulidades que não conseguem assinar o nome, não entendem o que ouvem e não sabem falar. Uma lástima!

Foto: Wilton Junior/ Estadão

A visão dantesca das fotos e vídeos das praias cariocas no último final de semana é de provocar engulhos. Estavam comemorando o fim da pandemia? A cura do vírus? O que esse povo tem na cabeça? Em quem essa gente confia? Acreditam mesmo nos irresponsáveis pela saúde pública? Na mídia partidária? No coelhinho da Páscoa? Ou seria no Papai Noel?

Dizem que os critérios para a flexibilização são técnicos mas como precisam atender a uma senhora com o sonoro nome de “Reeleição”, aceitam qualquer barbaridade que um aspone ou empresário buzine no ouvido da “Vossa Excelencia” da vez. Até hoje não entendo porque as eleições deste ano foram mantidas. Um desserviço para a população, quando bastava prorrogar os mandatos por uns seis meses ou até o vírus ser controlado, sei lá, usassem a criatividade!

E por falar nisso, a escolha dos prefeitos e vereadores deveria ser mais importante para o cidadão do que a do governador e até mesmo do presidente (com minúsculas, por favor). Um país continental como o nosso não pode depender de uma pequena e poderosa pseudo elite que se aboletou há anos no poder, independente de qualquer ideologia. O voto distrital seria uma boa? Talvez… Não por acaso, a turma de Brasília tem horror a essa ideia.

Desenho: Oscar Niemeyer
Vivemos um momento tão confuso que ninguém mais sabe quem manda em quem no Brasil e todo mundo, mas todo mundo mesmo é culpado por essa mixórdia, agravada pelo Coronavírus. Depois de todas as asneiras ditas e cometidas que nos levaram a uma tragédia, lembro do escritor israelense Eshkol Nevo que, em uma ótima crônica no jornal espanhol El País, afirma que “não está disposto a escutar mais ninguém dizendo que o vírus vai nos ensinar uma lição, e que vai nos fazer retornar a uma vida mais simples. O vírus é um filho da puta.”

No fundo, é isso aí mesmo: somos todos filhos da puta!

Carlos Emerson Junior (setembro/2020)

Livros em quarentena

Confesso que tenho lido e escrito muito pouco. O isolamento tem um preço que é agravado pela medicação da quimioterapia, a concentração. Segundo neurologistas do Hospital das Clínicas de São Paulo, “o isolamento pode provocar certo embotamento psicológico, frieza e distanciamento das emoções positivas”. De uma maneira grosseira, acho muito mais simples tirar uma soneca do que mergulhar nas páginas de um romance.

Mas tenho me esforçado, é claro. Minha filha mais nova nos presenteou com dois livros de autores suecos, “Um Homem Chamado Ove”, de Frederik Backman, Editora Objetiva e “O Ancião Saiu Pela Janela e Desapareceu”, do Jonas Jonasson, da Editora Record. Estou lendo o primeiro, que já nos surpreende de cara com o título do capítulo 1: “Um homem chamado Ove compra um computador que não é um computador”. Pois é!

O outro livro sueco, “O Ancião Saiu Pela Janela e Desapareceu”, está sendo lido com gosto pela minha mulher. Em sua opinião, apesar da história meio estranha ou talvez, muito escandinava, um senhor centenário que foge de um asilo só de pantufa e pijama e participa de aventuras inesperadas e até mesmo inacreditáveis, é um romance engraçado, ágil e ideal para passar as horas sem a menor preocupação.

Já “A Hora Final”, romance distópico do escritor inglês Nevil Shute, lançado em 1958 e atualmente fora de catálogo no Brasil (comprei meu exemplar, uma edição de 1974 da Companhia Editora Nacional, na internet) foi a base do aclamado filme do mesmo nome, lançado em 1959 com Gregory Peck, Ava Gardner, Fred Astaire e Anthony Perkins. Uma guerra nuclear destruiu todo o hemisfério norte e uma imensa e mortal nuvem radioativa se espalhou pelos países que restaram no hemisfério sul, entre eles, a Austrália (onde a história se desenrola), Brasil e Uruguai. Leitura pesadíssima para esses dias obscuros que estamos vivendo, mas indispensável para os fãs do filme e das e plausíveis histórias de ficção científica.

“Prazer em Queimar – Histórias de Fahrenheit 451”, editado pela Biblioteca Azul, é uma coletânea do escritor norte-americano Ray Bradbury, reunindo “dezesseis contos que deram origem ao seu romance clássico e obra-prima, Fahrenheit 451”. Acho que já li quase toda os trabalhos do autor, mas quando vi na resenha que este livro traz alguns inédito, não resisti e encomendei na mesma hora. Como ainda não li e cheio de expectativas, devo uma postagem com a devida resenha, para o bem ou para o mal.

“O Bom Pastor”, do britânico C.S.Forester, lançado em 1955 nos Estados Unidos e na Inglaterra e em 2020 no Brasil, pela Editora Record, narra a saga do comandante de um contratorpedeiro americano em um comboio de navios cruzando o Atlântico norte, levando tropas, mantimentos, combustível, armas, remédios e alimentos em plena Segunda Guerra Mundial. O ano é 1942 e os submarinos alemães, em grande número e atacando como matilhas de lobos são mortíferos. Para piorar, essa é a primeira missão do comandante do comboio…

Comprei o e-book na Amazon por impulso, logo após assistir na internet ao badalado e inédito longa metragem “Greyhound”, com o Tom Hanks, baseado nessa história. O filme, muito bom, por sinal, capricha no ambiente soturno, hostil, frio e cruel, mostrando como angustiantes e terríveis eram essas viagens. Vai ser a leitura seguinte ao livro do “Ove”.

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Pois é, livros e filmes são ótima companhia para esses dias (meses, anos, séculos, vai saber…) de quarentena do Covid-19, principalmente se levamos o isolamento à sério, saindo de casa o estritamente necessário e possível. Aliás, estou sendo injusto, livros são os nossos amigos para qualquer hora e o melhor, não tem nenhum efeito colateral. Palavra de quem adora ler!

Carlos Emerson Junior (agosto/2020)

Bicho Pau, o filme

Vocês conhecem o Bicho Pau? Pois é, eu já tinha até feito um post sobre ele no ano passado, o Bicho Pau, um curioso inseto, considerado um mestre da mimetização, além de ser um dos maiores do mundo, podendo atingir até 60 centímetros) claro. Depois disso já cruzei com outros exemplares simplesmente completamente imóveis, andando em árvores (dificílimo de ver e fotografar, o danado muda de cor ou procura um tronco apropriado e simplesmente desaparece) e esse aí do filme, que entrou (possivelmente por engano) na varanda, olhou para mim, não gostou do viu e seguiu seu caminho em direção ao telhado. Bom viagem, meu caro.

A propósito, o Bicho Pau é um inseto do bem, não passa doenças, não ataca e, na dúvida, some de nossa vista. Existem cerca de 3.000 espécies ao redor do planeta e mais de 220 aqui no Brasil, principalmente na região Amazônica e na Mata Atlântica, por acaso exatamente onde atualmente moro. Mais informações sobre o simpático e original bichinho podem ser obtidas aqui e acolá. O filmete foi feito hoje mesmo (dia 29/8/2020), por volta do meio dia.

Os Estatutos do Homem

(Ato Institucional Permanente)

por Thiago de Mello
Santiago do Chile, 1964

Artigo I.
Fica decretado que agora vale a verdade.
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas,
trabalharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II.
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III.
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV.
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo Único:
O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V.
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI.
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII.
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII.
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX.
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
o quente sabor da ternura.

Artigo X.
Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.

Artigo XI.
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII.
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII.
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade.
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

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Amadeu Thiago de Mello é um poeta e tradutor brasileiro. É um dos poetas mais influentes e respeitados no país, reconhecido como um ícone da literatura regional. Tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas.