A dança da Morte, uma crônica

Suma Editora

Num mundo em que tantos já morreram, provocar mais morte é certamente o mais graves dos pecados”.

(Stephen King).

De um laboratório ultrassecreto do governo americano, acidentalmente vaza um vírus da gripe geneticamente alterado, altamente contagioso e letal, se espalha com rapidez e provoca a morte de 99,4% da população mundial em menos de um ano. Aos pouquíssimos sobreviventes resta o espanto, a dor e o medo diante de um futuro de horror. É o fim da nossa sociedade.

É mais ou menos assim que começo o romance “A Dança da Morte”, uma das obras mais conceituadas do escritor norte-americano Stephen King. Lançado em 1978 e reeditado em 1990 com material inédito que havia sido cortado na primeira edição, é um calhamaço com 1.263 páginas, enorme e diversa quantidade de personagens e a eterna luta do bem contra o mal, literalmente falando. Empolgante e deixa bem claro que os monstros sempre presentes em suas obras somos todos nós.

A história parece uma premonição da tragédia atual provocada pelo Coronavírus. Guardada as devidas proporções (e ficções claro), o vírus chamado de “Capitão Viajante” ganha de 7 a 1 do nosso Coronavírus em todos os quesitos: contágio, letalidade e incurabilidade (isso existe?). Bem ao seu estilo, o autor descreve os sintomas da doença provocada como se você se afogasse dentro de si mesmo.

Como sabemos, infelizmente na vida real o Coronavírus também faz um estrago enorme: um ano e alguns meses após o chamado “paciente zero”, a Covid-19 já infectou mais de 149 milhões de pessoas, além de matar outros 3 milhões em todo o mundo. O Brasil é o terceiro país mais afetado, com 14 milhões de casos e mais de 400 mil mortes, uma tragédia.

Ao contrário dos personagens do livro, estamos sendo vacinados! Tudo bem que todas elas não erradicam a doença mas, sua capacidade de reduzir a contaminação e o número de internações hospitalares será decisiva para acreditarmos em dias melhores, ainda que difíceis.

Por outro lado, temos em comum a irresponsabilidade do governo americano (do romance), que demorou a tomar conhecimento do incidente, ocultou deliberadamente a verdade da população e tentou fugir (sem sucesso) quando percebeu o tamanho do desastre que provocara. O nosso governo… Bom, nem preciso falar nada, não é mesmo? Basta lembrar das cenas de terror nos hospitais e ruas de Manaus.

Bernt Nutke (Tailin, Estônia)

Dança macabra ou Dança da Morte é uma alegoria artístico-literária do final da Idade Média sobre a universalidade da morte, que expressa a ideia de que não importa o estatuto de uma pessoa em vida, a dança da morte une a todos. Há representações de Danças macabras na literatura, pintura, escultura, gravura e música. Estas representações foram produzidas sob o impacto da Peste Negra (1348), que avivou nas pessoas a noção do quão frágeis e efêmeras eram as suas vidas e quão vãs eram as glórias da vida terrena”. (Wikipédia)

Dividido em três partes, adquiri o romance “A Dança da Morte”,editado pela Suma em 1990, na Amazon em versão eletrônica para o meu Kindle, o que agilizou bastante a leitura. Como todo bom livro, é envolvente, emocionante, triste, belo e muito assustador, principalmente nesses dias sombrios de uma pandemia descontrolada, em um país dirigido por ineptos.

Recomendo muito.

Um comentário em “A dança da Morte, uma crônica

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