A dança da Morte, uma crônica

Suma Editora

Num mundo em que tantos já morreram, provocar mais morte é certamente o mais graves dos pecados”.

(Stephen King).

De um laboratório ultrassecreto do governo americano, acidentalmente vaza um vírus da gripe geneticamente alterado, altamente contagioso e letal, se espalha com rapidez e provoca a morte de 99,4% da população mundial em menos de um ano. Aos pouquíssimos sobreviventes resta o espanto, a dor e o medo diante de um futuro de horror. É o fim da nossa sociedade.

É mais ou menos assim que começo o romance “A Dança da Morte”, uma das obras mais conceituadas do escritor norte-americano Stephen King. Lançado em 1978 e reeditado em 1990 com material inédito que havia sido cortado na primeira edição, é um calhamaço com 1.263 páginas, enorme e diversa quantidade de personagens e a eterna luta do bem contra o mal, literalmente falando. Empolgante e deixa bem claro que os monstros sempre presentes em suas obras somos todos nós.

A história parece uma premonição da tragédia atual provocada pelo Coronavírus. Guardada as devidas proporções (e ficções claro), o vírus chamado de “Capitão Viajante” ganha de 7 a 1 do nosso Coronavírus em todos os quesitos: contágio, letalidade e incurabilidade (isso existe?). Bem ao seu estilo, o autor descreve os sintomas da doença provocada como se você se afogasse dentro de si mesmo.

Como sabemos, infelizmente na vida real o Coronavírus também faz um estrago enorme: um ano e alguns meses após o chamado “paciente zero”, a Covid-19 já infectou mais de 149 milhões de pessoas, além de matar outros 3 milhões em todo o mundo. O Brasil é o terceiro país mais afetado, com 14 milhões de casos e mais de 400 mil mortes, uma tragédia.

Ao contrário dos personagens do livro, estamos sendo vacinados! Tudo bem que todas elas não erradicam a doença mas, sua capacidade de reduzir a contaminação e o número de internações hospitalares será decisiva para acreditarmos em dias melhores, ainda que difíceis.

Por outro lado, temos em comum a irresponsabilidade do governo americano (do romance), que demorou a tomar conhecimento do incidente, ocultou deliberadamente a verdade da população e tentou fugir (sem sucesso) quando percebeu o tamanho do desastre que provocara. O nosso governo… Bom, nem preciso falar nada, não é mesmo? Basta lembrar das cenas de terror nos hospitais e ruas de Manaus.

Bernt Nutke (Tailin, Estônia)

Dança macabra ou Dança da Morte é uma alegoria artístico-literária do final da Idade Média sobre a universalidade da morte, que expressa a ideia de que não importa o estatuto de uma pessoa em vida, a dança da morte une a todos. Há representações de Danças macabras na literatura, pintura, escultura, gravura e música. Estas representações foram produzidas sob o impacto da Peste Negra (1348), que avivou nas pessoas a noção do quão frágeis e efêmeras eram as suas vidas e quão vãs eram as glórias da vida terrena”. (Wikipédia)

Dividido em três partes, adquiri o romance “A Dança da Morte”,editado pela Suma em 1990, na Amazon em versão eletrônica para o meu Kindle, o que agilizou bastante a leitura. Como todo bom livro, é envolvente, emocionante, triste, belo e muito assustador, principalmente nesses dias sombrios de uma pandemia descontrolada, em um país dirigido por ineptos.

Recomendo muito.

Café

Foto: Carlos Emerson Jr

Uma coisa que aprendi com minhas caminhadas é que quando estamos sozinhos, nossa cabeça fica tão cheia de pensamentos que muitas vezes perdemos pequenos detalhes do caminho que, por um motivo ou outro seriam interessantes. Por outro lado, acompanhados sempre conversamos, contamos casos, rimos, reclamamos, brigamos e de novo, talvez até com mais constância, a mesma distração se repete. Faz parte, acho.

A foto acima mostra um pé de café. Talvez pela pressa de chegar ao fim de uma longa ladeira, deixei de registrar a cena no seu todo, mais uns seis ou sete cafeeiros plantados lado a lado, como se fossem um muro protegendo o terreno. Passo por ali quase sempre que caminho e garanto que foi a primeira vez que reparei nessa curiosidade, uma mini plantação urbana. Vai ficar muito bonito quando florescer. E se por acaso os grãos não vingarem, não faz mal, vão alegrar minhas andanças.

Meus parabéns para o dono da lavoura.

Catavento

Foto: Carlos Emerson Junior

O catavento é um dispositivo que aproveita a energia dos ventos para produzir trabalho. Sua origem é controversa, alguns acreditam que surgiu na Pérsia, por volta de 915 a.C, enquanto outros defendem seu emprego no Egito e na China. O catavento mais antigo conhecido é o Galo de San Isidoro de León, na Espanha. Estudos em Carbono 14 de restos de um ninho de abelhas que tinha no seu interior, apontam sua origem no ano 680 AC. Viu quanta coisa você aprendeu numa leitura de dois minutos, em pleno domingo?

Ah sim, esse catavento é botafoguense. Coitado…

Basta!

Célula infectada com partículas do novo coronavírus | NIH/Handout via REUTERS

“A Academia Nacional de Medicina, em seus 191 anos de luta pela saúde da população brasileira e como instituição apolítica, manifesta enorme indignação pelo descaso, descuido e negligência por parte das autoridades governamentais e da classe política que seguem omissas e servis a interesses eleitorais, menosprezando a vida dos cidadãos.

Como entidade de assessoramento à política de saúde do país, nos cabe apresentar, novamente, propostas e conclamar a sociedade brasileira a não ficar omissa, sob o risco de sermos corresponsáveis por erros que seguem prejudicando de maneira grave o Brasil.

A Academia Nacional de Medicina acompanha com extrema preocupação a evolução da pandemia pela Covid-19, que recrudesce no Brasil. O negacionismo irresponsável de muitos gestores e políticos precisa cessar já.
Grande parte das 200 mil mortes que logo contabilizaremos poderia ter sido evitada. O tempo perdido com a falsidade, matou dezenas de milhares e vai seguir matando!

Quanta falta de decoro sanitário e inacreditável leviandade. Ignorância vergonhosa!

Sem dúvida, os executivos federal, estadual e municipal têm a maior responsabilidade, mas também o poder legislativo tem obrigação de assumir seu protagonismo, sendo indispensável o entendimento entre os gestores ao invés de inúteis debates político-demagógicos. Também, muitos governadores e prefeitos ardilosamente se omitem, não exercendo o poder de disciplinar e controlar as atividades sociais.

A Sociedade tem de dar um basta!

É preciso impedir que a população se infecte. Não há outra solução. Sim, a vacina é indispensável e prioritária, mas não bastará. Serão muitos meses para se conter a epidemia e, antes, durante e depois, teremos que seguir usando máscaras e condutas sociais cientificamente comprovadas.

Há necessidade imediata de implementação de exemplos e de medidas de proteção individual e coletiva, controlando-se o risco aumentado pelas atividades recreativas e sociais, atualmente descontroladas pela falta de liderança.

A vacina segue sendo explorada, de forma irresponsável, por autoridades que podem se merecer, mas o povo brasileiro não os merece.

Para se evitar uma tragédia ainda maior, é imprescindível a priorização da avaliação técnica das diferentes vacinas e a imediata liberação de todas as que forem aprovadas pela Anvisa.
Há necessidade premente da vacinação, como ocorre em outros países, nos quais, inclusive, já vem sendo aplicada.

Não há razão para punirmos mais o Brasil com a morosidade proposta de se aguardar meses.

Estamos muito atrasados e precisamos construir estratégia sólida que permita, já no início de 2021, a realização segura da vacinação em massa da população. É impossível a vacinação contra a Covid-19 dar certo com planos nacionais e estaduais paralelos. Uma irresponsável disputa levou à perda de precioso tempo na definição de um plano nacional de imunização efetivo, apesar de termos um extraordinário e bem-sucedido programa nacional de imunizações pelo SUS, reconhecido mundialmente por sua qualidade.

Além da vacina, é necessário educar e estimular exemplos e programas de informação adequados para o uso obrigatório de máscaras, do afastamento entre as pessoas, de coibir, a todo custo, as aglomerações.
A testagem em massa é outra medida imprescindível, capaz de detectar casos e definir medidas epidemiológicas e de saúde pública que reduzam drasticamente a propagação da epidemia. Enfim, uma coordenação das ações de forma eficiente em todas as esferas.

Na defesa de milhares e milhares de vidas que certamente serão ainda perdidas, se essa política suicida e criminosa não for de imediato inteiramente modificada, a Academia Nacional de Medicina, mais uma vez, manifesta enorme preocupação e conclama a todos da sociedade brasileira a exigir de nossos governantes e políticos o que o Brasil tem direito e não vem recebendo.”

Academia Nacional de Medicina
Rubens Belfort Jr.
Presidente

*****

Nota oficial da Academia Nacional de Medicina, publicada hoje no site da AMN e no O Globo. Como um cidadão livre e consciente, assino embaixo.

Sine Qua Non

Foto: Carlos Emerson Jr.

O barulho da chuva caindo no telhado, escorrendo pelas correntes das calhas e o cheiro da terra molhada. O verde forte da vegetação encharcada. O Caledônia oculto nas nuvens escuras regando nossa cidade e todas as criaturas.

O lusco-fusco entre o entardecer e o anoitecer. As cores das nuvens, alternando do branco ao laranja. As estrelas brilhando no céu limpo do inverno. A Lua Cheia sorrindo, iluminando a mata e ofuscando o pisca-pisca dos vagalumes que ainda resistem por aqui. A lareira acesa aquecendo corpos e corações.

A revoada e os gritos das maritacas nas manhãs da Primavera. O chamado do Quero-Quero no telhado da casa vizinha. O canto marcante de um Bem-Te-Vi. A altivez de uma Dália em um jardim numa rua. Um muro de heras todo florido com Esponjinhas. A beleza exótica das Orquídeas. As duas semanas de floração das Cerejeiras.

Ter passeado em Paris antes de morrer. Trabalhar com o que gosta e saber se reinventar. Viajar. Velejar. Nadar. Conhecer e viver uma vida inteira com o amor de sua vida. As filhas, hoje adultas, amigas para todas as horas. Rezar no fim do dia. Dormir com a boa sensação de estar vivo.

Isso é essencial. Sine Qua Non.

Só faltam 23 dias!

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Mais uma segunda-feira! Mais uma semana! Menos de um mês! 2021 vem aí! Sim, e daí? Sua vida vai mudar? O isolamento vai acabar? O vírus vai ter cura? E os empregos, vão voltar? Vamos viajar outra vez? Sair à noite, encontrar os amigos, festejar qualquer coisa, ir à Igreja rezar? Deixaremos de achar “normal” 6.605.245 casos de Covid-19? E as 177.006 mortes confirmadas?

Quando percebo que a gestão da pandemia, pelo menos aqui no Brasil, não passa de uma piada de péssimo gosto, comandada por gente sem a menor condição de conduzir sequer um pelotão, dando valor a “pseudo lendas” ao invés de se ater aos fatos reais, atiçando a cobiça dos corruptos eternamente de plantão, vendendo gato por lebre de olho em uma reeleição, fico com dúvidas se realmente 2021 será um “feliz ano novo”, cheio de esperanças, paz e saúde ou se os dias sombrios e mortais se repetirão.

Sei não… Parece que 2020 não tem data para terminar.

Renascer

Foto: Carlos Emerson Jr.

Algum dia, não sei quando, desapareceremos do planeta Terra, nossa casa tão mal tratada. Não importa se será em consequência de uma catástrofe ambiental, uma guerra nuclear ou, simplesmente, pela apatia e desinteresse em prosseguir uma jornada de violência, destruição, ódio e desamor.   Nossas lembranças, virtudes e cultura ficarão como um legado para ninguém.

Desse dia em diante, as cidades serão apenas ruínas, os imensos pastos do interior brasileiro serão tomados pelas matas mas, infelizmente, milhões de animais que dependem de uma forma ou outra dos homens, perecerão com fome e sede. Em compensação, outros milhares, selvagens e mais adaptados e buscarão alimentos e abrigos no que restou das fábricas, usinas, barragens, hotéis, hospitais, quartéis e demais construções e espaços construídos pelo homem.

Os rios voltarão aos leitos originais e correrão para o mar limpos e piscosos como todos os rios já foram um dia. Os oceanos, por sua vez, livres de vazamentos de óleo, naufrágios de cargas poluentes, despejo de esgoto e lixo radioativo e todo o tipo de mazelas, explodirão de vida marinha, nutrientes e, quem sabe, algum dia seja berço de uma nova vida inteligente, mais adaptada. O ar que um dia respiramos será completamente diferente, limpo e saudável. 

Algum dia, não sei quando, a humanidade se vai e o planeta Terra renascerá e viverá em paz.

Suspeita clínica não é uma clínica suspeita

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Ou o suspeito é sempre o culpado. A palavra, não o cidadão, que tem à sua disposição o direito de defesa em primeira, segunda, terceira, quarta e sei lá quantas instâncias, ainda mais se for amigo de um magistrado ou puder pagar um advogado de primeira linha. 

Mas vamos ao caso: a suspeita caminhava de maneira suspeita por uma suspeitíssima viela numa comunidade carioca prá lá de suspeita. Por sua vez, em uma viatura da policia, suspeita, é claro, policiais observaram a atitude suspeita da suspeita e, de uma forma muito suspeita, a abordaram. Um “di menor” que passava por ali, viu a cena e, suspeitosamente saiu correndo morro acima.

Pois é, hoje a imprensa usa e abusa do suspeito, mesmo quando o elemento é pego com a mão na botija ou melhor, com uma arma na mão atirando em uma infeliz vítima. Querem um exemplo? Aquele monstro que trancou duas mulheres no banheiro da casa , incendiou o imóvel e fugiu, matando as duas queimadas. Alguns jornais do Rio chegaram a noticiar que o suspeito estava exaltado, o suspeito foi preso, o suspeito é isso, o suspeito é aquilo e por aí vai.

Um cidadão acima de qualquer suspeita. Já ouviram muito essa expressão, não é mesmo? Ela é clara, objetiva, curta e grossa; trata-se de uma pessoa com a reputação ilibada, que não pode ser acusada de nenhuma falta, um cidadão honesto e confiável. Quanto governadores do Estado do Rio, legitimamente eleitos, estão presos por, digamos, mal feitos?

No Direito “suspeito é uma pessoa relativamente à qual existam indícios não muito fortes que revelem sua proximidade com um crime que cometeu, participou, ou prepara-se para participar”. Ou em português claro, o cidadão pode ser um safadão, mas não temos como afirmar isso sem provas, correndo o risco de  incorrer em uma injustiça.

Se pararmos para pensar, somos todos suspeitos de alguma coisa e isso traz consequências desastrosas, como o da Escola de Base em São Paulo, caso típico de linchamento moral totalmente equivocado ou de má-fé, precursor dos famigerados cancelamentos que tomaram conta das redes sociais e tentam colocar sob suspeita qualquer um que escreva, fale ou filme algo que não agrade o sem noção da vez.

E piora: maridos suspeitando (e matando) suas companheiras. Policiais e similares prendendo, batendo e até mesmo eliminando negros com a infame desculpa que o “indivíduo estava em atitude suspeita”! E o que seria, para essa gente, uma atitude suspeita? Tratar mal uma pessoa humilde porque ela é isso, simplesmente humilde, automaticamente uma suspeita em potencial? Quem somos nós para julgar alguém?

É óbvio que a maioria dos suspeitos de hoje são bandidos mesmo, dos brabos, sem a menor suspeita, mas cabe somente à Justiça e a Deus decidir o seu destino. Nossa indignação é justa e necessária, até mesmo para cobrar seriedade, celeridade e correção nas investigações, mas daí a querer fazer justiça com as próprias mãos é incorrer em um crime maior ainda.

Enfim, não sou (até onde sei) suspeito de nada, a não ser, talvez, não saber quando terminar uma crônica. Ah sim, suspeita clínica é uma expressão médica designado a hipótese do diagnóstico de um paciente. Já uma clínica suspeita… Bom, quando eu era criança (e coloca décadas nisso) era aquele lugar também conhecido como fábrica de anjinhos, sem suspeita mesmo! Hoje em dia nem imagino o que fazem.

Uma boa semana para todos e vamos suspeitar menos e amar mais. Faz bem para a saúde e para a alma.

Flores de Novembro

Fotos: Carlos Emerson Jr.

Para um domingo sem eleição (Nova Friburgo não tem segundo turno), que tal umas flores para amenizar o ambiente e alegrar o final do dia, vença quem vencer? Uma curiosidade, hortências são muito comuns por aqui mas em dezembro e janeiro, com o calor. Essa da foto, pelo visto, gosta de um friozinho…

Uma boa semana.

Oração

“Concedei-me, Senhor a serenidade necessária
Para aceitar as coisas que não posso modificar.
Coragem para modificar aquelas que posso e
Sabedoria para conhecer a diferença entre elas.”
(Trecho da Oração da Serenidade)

Não sou religioso, crente, teólogo, padre, sequer um católico praticante. Pelo contrário, grande parte de minha vida mantive Deus a uma distância segura de convicções materialistas, leituras científicas e principalmente, minhas fraquezas, decepções e frustrações. Com a idade (como a gente aprende com o tempo…) fui percebendo que verdades não são imutáveis e nossas crenças (ou a falta delas) oscilam de acordo com momentos, realizações, alegrias e, é claro, sofrimentos.

Mas o objetivo da crônica não é falar de mim e sim prestar uma pequena homenagem a oração, princípio básico que rege todas as religiões desse mundão, sejam elas quais forem. Quem nunca se emocionou com a Oração de São Francisco de Assis, um apelo emocionante, simples e direto em busca e em favor da humanidade?

“Senhor, fazei que eu procure mais: consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado.Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna.” (Oração de São Francisco de Assis)

Rezar ou orar é falar com Deus, mas também abrir o coração para nós mesmos, admitir nossos preconceitos, medos, ódios, dúvidas, paixões. É quase um estado de graça, um mantra, uma meditação, como queiram. É uma benção que temos para aliviar nossas dores internas, chorar vidas queridas perdidas, implorar por força para enfrentar obstáculos, pedir alimento, água e abrigo quando estamos sós e tristes.

“Que eu possa ser o refúgio dos seres sem refúgio.
Possa ser o protetor dos seres sem protetor.
Que eu possa ser a morada de seres sem moradia.
Possa ser o país dos seres sem país.
Que eu possa ser o amigo dos seres sem amigos.
Possa ser o apoio dos seres sem apoio.”
(prece budista)

Martinho Lutero, monge agostiniano alemão, principal nome da reforma protestante, escreveu que “muitas vezes fui levado à oração pela irresistível convicção de que este era o único lugar para onde podia ir.” Foi exatamente essa atração que me levou a rezar com fé, a conversar com Deus, a ouvir o que meu eu estava falando. A acreditar que a oração acalma, consola e dá esperanças.

Em seu artigo “Rezar funciona!”, o Rabino Shabsi Alpern ensina que “antes de tudo, a oração nos ajuda a aceitar a vontade de D’us. Mais ainda, a prece estimula o seguinte pensamento numa pessoa sincera: “Como mereço ser atendida?” Ela faz uma auto-análise que, por sua vez, gera mudanças construtivas de caráter, tornando-a mais receptiva à bondade Divina — uma bondade que está sempre emanando, mas que nem sempre o ser humano está em condições de receber. Este é o papel da oração sincera”.

“O amor é um oceano infinito,
cujos céus são apenas um floco de espuma.
Saiba que as ondas do Amor é que fazem girar a roda dos céus,
pois sem o Amor o mundo seria sem vida.”
(trecho de oração islâmica)

E é com muito amor no coração que peço licença para agradecer publicamente a Nossa Senhora por uma graça recebida. Obrigado por ouvir minhas preces, por me dar força e serenidade quando mais precisei. Essa crônica é dedicada a ela e a todos que rezam com fé, desapego e amor.

Vacina

Foto: Carlos Emerson Jr.

Poliomielite
Caxumba
Meningite
Febre Amarela

Sarampo
Varicela
Tifo
Rubéola

Gripe
Pneumonia
Coqueluche
Difteria

Tétano
Varíola
Rotavírus
e outras mais.

Vacinar, para quê?
Ora, que pergunta,
vacinar é um ato de amor!
É respeitar a si mesmo e o próximo.
Proteger nossas paixões, filhos, pais, amigos,
até mesmo… desconhecidos.

Vacinar é humanidade.
Vacinar é vida.

A liberdade e a máscara

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“A liberdade enfaticamente não inclui a liberdade de deixar outra pessoa doente. Não inclui a liberdade de se recusar a usar máscara no supermercado, espirrar em alguém na seção de hortifrutigranjeiros e transmitir o vírus. Isso não é liberdade para a pessoa que é espirrada. Para essa pessoa, a “liberdade” da primeira pessoa significa doença potencial e até mesmo uma sentença de morte. Nenhuma sociedade pode funcionar com base nessa definição de liberdade. Liberdade significa a liberdade de não ser infectado pelo idiota que se recusa a se mascarar.” (Michael Tomasky, The New York Times)

O artigo de onde tirei o trecho acima, foi publicado hoje no NYT, abordando o aumento de casos da Covid-19 e a questão do direito de cada um de usar ou não a máscara de proteção, item importante contra a infeção do vírus. Apesar de abordar a crise americana, cai como uma luva aqui no Brasil onde o número de pessoas que acreditam que a pandemia acabou é preocupante e os gestores, políticos, militares e os palpiteiros de sempre, não são do ramo.

Enfim, vale lembrar Bernard Shaw: “liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela.”

Bom domingo e ótima semana, amigos.

Eleições em novembro?

Correio da Manhã (Rio)

Já vou logo avisando, não voto em ninguém nas eleições de novembro. Aliás, para ser mais claro, não vou e sequer posso descer a serra até o Rio para cumprir minha obrigação cívica. Os motivos estão na cara, uma quimioterapia ainda por terminar, uma última cirurgia ainda por marcar e os setenta anos de idade que garantem minha isenção. 

Esclarecido esse ponto, vamos ao que interessa, quem está ganhando com isso? A democracia? Ora, façam-me o favor, o Brasil faz parte de um “seleto” grupo de 24 países (Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai, República Democrática do Congo, Egito, Grécia, Líbano, Líbia, Nauru, Tailândia, Bélgica, Austrália e as cidades-estados Luxemburgo e Singapura) que ainda adotam o voto obrigatório, uma barbaridade colocada na Constituição de 1934, durante a de Getúlio Vargas.  

A Constituição de 1988, feita por políticos para políticos, repetiu a dose. Só não contavam com a expansão dos meios de informação que nos ensinaram que em 230 nações, entre elas todas as consideradas do primeiro mundo, o voto é… Facultativo! Em 2014, uma pesquisa do Datafolha mostrou que 61% dos brasileiros era contra o sistema vigente. Alguém ligou? Que nada, todo mundo com cara de paisagem se entocou no Congresso, Palácios, etc…  

Os últimos anos vem desanimando cada vez o cidadão brasileiro. O ex-presidente sociólogo que se considera o mais bem preparado de todos os que vieram antes e os que virão depois, inventou a reeleição, um verdadeiro câncer político, já que o “ungido” passa todo o primeiro mandato com a cabeça no segundo e depois, já reeleito, o povo que se dane, vamos eleger o sucessor e aproveitar o máximo possível.  

Mas o que mais me desanima são os 6 governadores presos, afastados ou processados por corrupção, o impeachment de dois presidentes, ler nos jornais, dia sim, dia seguinte também, as listas de “autoridades” e “empresários” presos ou conduzidos coercitivamente à polícia para prestar “esclarecimentos” sobre atividades escusas. Mais lamentável é quando a justiça, invocando cláusulas obscuras, perdidas nos inúmeros códigos penais, processuais e quetais, solta todo mundo de uma penada só…  

E piora. A incompetência e a má fé são contagiosas e se espalharam pelas casas legislativas de todo o país. Com as exceções devidas e de sempre, a sensação é que nossos representantes estão mais preocupados com suas próprias vidas do que com o povo que os elegeram. Falta transparência e sobram conchavos, acordões, acordinhos, o diabo a quatro.  

A primeira eleição a gente nunca esquece e a minha foi um desastre só. Estou me referindo a de 1961, que consagrou Jânio Quadros, o da vassourinha. Eu tinha apenas 10 anos, mas nunca vi tanta esperança e alegria pelas ruas de Copacabana foi anunciada sua vitória. Infelizmente, o presidente não regulava bem e após apenas sete meses de governo, renunciou. O resto é história. 

Tenho pena da gente honesta, trabalhadora e de boa fé que investe o que tem e o que não tem para tentar mudar alguma coisa nesse país e se vê envolvida por raposas felpudas, para não dizer outra coisa, além dos esquemas escusos de sempre. Hoje, com os recursos tecnológicos, ainda tem que conviver com fanáticos e robôs nas redes sociais, desqualificando seu trabalho, difamando sua honra e ameaçando sua família. É duro!    

Enfim, por uma questão de saúde e uma profunda decepção com o Brasil, em novembro não voto! Ainda mais quando vejo uma lista com 16 nomes querendo a prefeitura de Nova Friburgo, a cara de pau de candidatos enroladíssimos com a lei liderando a eleição no Rio e por aí vai. Dá uma tristeza enorme e a certeza de que nós, brasileiros, não sabemos votar e desconhecemos a força que nosso voto poderia ter. Uma pena. 

Boa semana para todos os leitores. 

O apagão

Foto: Carlos Emerson Junior

Onde você estava quando as luzes se apagaram na noite da última sexta-feira, dia 2 de outubro? Pois é, peguei emprestado o título de um antigo filme da década de 60, com Doris Day e Patrick O’Neal para falar sobre o apagão que deixou no escuro cerca de 20 municípios fluminenses (incluindo Nova Friburgo), durante quase quatro horas. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS, concessionaria local, problemas em 3 subestações de força de Furnas foram os vilões da história.

Eu estava em casa, lendo um livro e esperando que a máquina de lavar roupa completasse seu ciclo de lavagem quando, faltando uns cinco ou dez minutos para as cinco horas da tarde, o estabilizador de voltagem da geladeira apitou, um dos notebooks o acompanhou e a luz sumiu por uns quinze minutos.

Não dei a menor importância, afinal tenho experiência no ramo: na década de 50 e 60, criança ainda, convivi com os racionamentos de energia no Rio, dia sim e o outro também, em dois horários, um pela manhã e o outro à noitinha. Quando comprei o apartamento de Nova Friburgo, em um bairro praticamente desabitado e cheio de mata em volta, a luz ia e vinha ao sabor do vento, da chuva e do sol. Ah, e dos relâmpagos e trovões também!

Por volta das seis da tarde, fui abrir a porta de casa para minha mulher e, surpresa, a luz se foi de novo, só se normalizando às nove e meia da noite quando, completamente entediados, já avaliávamos a hipótese de subir para o quarto e dormir até o dia seguinte. Infelizmente nossos planos foram por água abaixo quando lembramos que a máquina de lavar, cheia de roupas, ainda tinha alguns ciclos a cumprir.

E foi isso. A luz iluminou, a lavadora lavou e a vizinhança reclamou, com toda a razão: imagina como ficaram os hospitais da cidade, cheios de cidadãos com o vírus? No dia seguinte, atrás de notícias, só conseguimos duas notas das empresas de luz aqui da região, avisando que não tinham nada a ver com isso e que passaram a noite remanejando as linhas de transmissão para manter o serviço ativo.

Furnas, por sua vez, publicou sua versão, atribuindo as falhas nas estações de Rio das Ostras, Duque de Caxias e Belford Roxo, garantindo que “as causas da ocorrência ainda estão sendo apuradas”. Tomara que sim. O que menos precisamos é de uma repetição dessa “ocorrência”, ainda mais depois de tantos anos sem maiores problemas.

E o legado da história? Achei uma caixa com 6 velas, comprada a uns vinte anos atrás, quando o Sans Souci ainda era um lugar isolado, praticamente sem luz. Quase um achado arqueológico.

oOo

Aos idosos que não se entregaram, aos que ainda lutam para superar suas dificuldades e àqueles que cuidam uns dos outros, força e coragem para seguir em frente e vencer essa peste!” (Ana Borges, Jornal A Voz da Serra)

Muito oportuno e bem-vindo o belo artigo publicado no Caderno Z, do jornal A Voz da Serra deste sábado (que por causa do apagão circulou no domingo) escrito pela amiga e jornalista Ana Borges, sobre os mais atingidos pelo covid-19, os idosos, a turma que já passou dos 60, 65, 70, a minha turma, enfim. Oportuno, instrutivo e inspirador. Obrigado, Ana.

O link para leitura on line está aqui: https://avozdaserra.com.br/noticias/aos-idosos-que-nao-se-entregaram-e-aos-que-ainda-lutam-para-superar-dificuldades.